Livro S. Bernardo – Graciliano Ramos PDF MOBI LER ONLINE

Drama

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Descrição do livro

Defrontado consigo mesmo e suas lembranças, no declínio de um atribulado percurso de vida, Paulo Honório, que chegara a ser um poderoso fazendeiro do sertão alagoano, conta a sua história. E o que nos fica é a figura de um homem simplório, perplexo diante da complexidade da existência sobre a qual lutou, sempre, para se manter no papel de protagonista, e que teve entretanto suas ações voltadas contra si mesmo. É o perfil de um homem envolvido quase instintivamente no jogo de poder, na arriscada aposta da lei do mais forte, e para quem o triunfo rende apenas o vazio e o abandono. Ao final, Paulo Honório deixa de lado o que conquistou, oprimido pela constatação de que perdeu justamente o que poderia humanizar sua vida, inclusive sua mulher, Heloísa, a quem se culpa, no fundo, por ter destruído. O que escapou a Paulo Honório foi a capacidade de manter o que lhe poderia despertar a aptidão para amar. A par da elaborada teia existencial desenvolvida ao longo da trama – pelos conflitos entre as visões de mundo incorporadas pelos personagens – destaca-se um texto riquíssimo, principalmente nas falas de Paulo Honório, construído em metáforas surpreendentes, embora disfarçadas pela concretude das palavras. Ciúme, solidão… Não há sínteses satisfatórias para um romance como este, de linhagem genuinamente machadiana, em que a alma dos personagens se expõe com tanta crueza e exatidão. São Bernardo é a obra que projetou Graciliano Ramos como um dos maiores escritores brasileiros.

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Opinião do S. Bernardo – Graciliano Ramos PDF MOBI LER ONLINE

São Bernardo é o primeiro livro de Graciliano que li, não contando a leitura forçada e cacête que tive de fazer para a escola, metido nos meus 15, 16 anos, não lembro.

São Bernardo, nome da propriedade de Paulo Honório, é também nome do livro, e com razão. O agreste protagonista é movido por uma sede de domínio e secura no pensar que impressiona.

Paulo Honório personifica o tipo do nordestino bem sucedido, cujo crepúsculo vemos hoje com nossos políticos oligarcas bancando os mencheviques anacrônicos no governo petista. Paulo Honório é um maquiavélico, talvez sem o saber: os fins justificam os meios na sua vida, e não dá ponto sem nó. Seus descendentes repetem a fórmula com menos mestria e testosterona. Estamos em tempos em que

“nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro. E como sempre tive a intenção de possuir as terras de S. Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-las”.

Saído do nada, é movido por uma vontade criadora misturada com inveja e despeito. O estilo da narrativa, seco, pontuado, áspero, focado na ação, é como o personagem. E como não há apresentações ou divagações interiores até os últimos capítulos, o estilo narrativo é uma extensão do próprio Paulo Honório: faz por ele as apresentações.

Homem forte, contudo. Determinado e telúrico, não chega a ser tão arrogante quanto poderia. Perto dele, o Padilha é um poço de pusilanimidade, o que demonstra a honestidade de Graciliano: o comunista é um pudim de inseguranças ao passo que o capitalista é como um dínamo.

Mas o dínamo emperra. Emperra porque depois de 45 anos vivendo como um animal, conhecendo apenas tacanhos, Paulo Honório tem um espírito reificado: um homem que só sabe pensar no valor econômico, no vale a pena, sem ponderar valores mais elevados, conhece Madalena, a única pessoa que não era uma peça na sua grande maquinação.

De Madalena, no entanto, conhecemos apenas que era bela e tinha compaixão pelas pessoas mais desvalidas. Mas seu ateísmo a leva ao suicídio, não aguentando os ciúmes descabidos, mas tão naturais numa pessoa possessiva como o protagonista.

Tendo conhecido Madalena, o espírito do protagonista esforça-se por civilizar-se, vê o bem e o deseja, mas não consegue se desvencilhar dos velhos hábitos – São Bernardo, a primeira grande conquista, é competidor desleal e ciumento. A mulher, sem estofo espiritual para suas virtudes naturais, também se afasta e não lhe cabe o papel de heroína. Logo, a alma de Paulo Honório, que já passara tanto tempo sem um requinte que fosse volta ao modo antigo, procura coisificar também a esposa, que no entanto não cede.

Apesar de determinado e autoritário, Paulo Honório já é um homem sem a real virilidade. A perda da virilidade passa por três estágios: a brutalidade, o cinismo e a efeminação. O protagonista fica na brutalidade, misturada com cinismo. É incapaz de emanar a verdadeira autoridade do Rei, não atrai a admiração do Cavaleiro e não tem a sabedoria do Mago. Frustrado com sua mulher, ofende-a, e em seus pensamentos a diminui, espezinha com o fantasma que faz dela, conecta sua pessoa à base de todos os acontecimentos ruins do entorno.

Fracassado na tentativa de coisificação, o dínamo de sua força emperrado, perde a mulher, a única alma que havia refletido nele um lampejo da felicidade eterna. Não tendo a coragem de mudar por Madalena, Paulo Honório contudo já não era o mesmo, e vagueia sem rumo pela casa quando deveria estar no campo vigiando e dando ordens: a locomotiva calculista fora dos trilhos, fora dos cálculos e maquinações.

E amarga, amarga sua solidão menos por causa das grosserias e inumanidades que cometeu do que por não ter a linguagem para expressar o que sente, seu interior, para onde nunca vertera o olhar da inteligência e da memória. A falta de instrução, de situações e experiências verdadeiramente humanas, deixou Paulo Honório numa espécie de limbo existencial, deprimido sem sequer saber a palavra para definí-lo.

Graças a Graciliano, temos uma palavra para esse processo de reificação e brutalização, e essa palavra, remetendo-nos a um turbilhão de cenas magistralmente alinhavadas num estilo preciso, tem o nome de São Bernardo.

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Written by dmendes40

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